MANAUS, UM SONHO POSSÍVEL.. Hoje acordei imaginando uma Manaus diferente. Não uma cidade de fantasia, impossível de existir. Imaginei uma Manaus que aproveitasse melhor aquilo que já possui: sua natureza exuberante, seus rios, seus igarapés, suas árvores, sua história e, principalmente, sua gente.
Imaginei uma cidade onde as árvores estivessem presentes em todos os lugares. Nas avenidas, nas ruas, nas praças, nos bairros e até onde hoje encontramos apenas concreto, asfalto e calçadas que parecem devolver o calor do sol.
Basta caminhar pelo Centro para perceber que as árvores podem transformar completamente um ambiente. Na Rua Getúlio Vargas e na Rua Joaquim Nabuco ainda encontramos grandes benjaminzeiros, árvores que oferecem sombra e mudam a sensação de quem passa por baixo de suas copas.
E então vem a pergunta: se algumas árvores conseguem fazer tanta diferença em uma rua, por que não ter muitas mais espalhadas por Manaus?
Imaginei uma cidade mais verde, com grandes corredores de arborização, jardins, praças e espaços públicos onde as pessoas pudessem caminhar, conversar e simplesmente sentar debaixo de uma árvore para fugir do calor.
Imaginei também os nossos igarapés recuperados. Em vez de esconder ou abandonar nossos cursos d’água, poderíamos transformar muitos deles em espaços de convivência, com vegetação, jardins, passarelas e áreas de lazer.
Uma Manaus onde a água não fosse apenas parte da paisagem, mas também parte da vida urbana. E imaginei uma cidade com transporte público moderno. Por que não sonhar com um metrô integrado a ônibus eficientes, corredores de transporte e outros meios de mobilidade?
Uma cidade onde o cidadão pudesse deixar o carro em casa porque teria uma alternativa confortável, segura e eficiente para chegar ao trabalho, à escola ou simplesmente atravessar Manaus.
Imaginei uma Manaus onde o trânsito não consumisse tantas horas da vida das pessoas. Uma cidade planejada para pessoas. Calçadas adequadas, ciclovias conectadas, transporte coletivo de qualidade, arborização e espaços públicos que aproximassem o cidadão da própria cidade.
Depois pensei na educação.
Imaginei escolas bem cuidadas, modernas, com tecnologia, esporte, música, cultura e formação profissional.
Escolas onde uma criança pudesse olhar para o futuro e acreditar que também pode chegar à universidade, abrir uma empresa, ser artista, atleta, cientista ou profissional de qualquer área que escolher. Pensei também na saúde.
Uma Manaus onde o cidadão pudesse encontrar atendimento digno, profissionais valorizados e uma estrutura capaz de cuidar das pessoas antes que os problemas se tornassem maiores. E pensei na habitação.
Famílias morando com dignidade, em bairros planejados, com saneamento, iluminação, transporte, escolas, áreas verdes e serviços públicos próximos.
Porque construir casas não é suficiente. É preciso construir lugares para viver. Também imaginei uma Manaus mais segura.E segurança não significa apenas policiamento.
Significa iluminação pública, ruas ocupadas pelas famílias, esporte, cultura, educação, oportunidades de trabalho e uma juventude com perspectivas para o futuro. Uma cidade segura é aquela onde as pessoas podem ocupar seus espaços públicos sem medo.
Mas, no meio de tudo isso, voltei a pensar na natureza. Afinal, Manaus tem uma vantagem que poucas cidades do mundo possuem. Estamos no coração da Amazônia. Temos rios, floresta, biodiversidade e uma identidade que não pode ser encontrada em nenhum outro lugar.
Por que não transformar essa característica em uma das nossas maiores forças?
Por que não imaginar uma Manaus moderna, tecnológica e economicamente forte, mas também profundamente verde?
Uma cidade onde palmeiras, açaizeiros, árvores nativas e jardins façam parte da paisagem urbana. Uma cidade onde a arquitetura dialogue com a natureza. Uma cidade que não precise escolher entre desenvolvimento e meio ambiente. Uma cidade que consiga fazer os dois caminharem juntos.
É claro que alguém pode dizer que tudo isso é apenas um sonho.
Talvez seja. Mas eu continuo acreditando que não faz mal sonhar. Porque antes de existir uma grande transformação, alguém precisa primeiro imaginar que ela é possível.
Manaus não precisa deixar de ser Manaus. Não precisa abandonar sua história, sua cultura ou sua identidade amazônica. Talvez precise justamente fazer o contrário: valorizar aquilo que sempre esteve aqui.
Os rios. Os igarapés. As árvores. A floresta. A cultura. A criatividade do seu povo. E transformar tudo isso em qualidade de vida. Talvez a pergunta que devemos fazer não seja apenas “o que está errado com Manaus?”.
Talvez seja: “Que Manaus queremos construir para o futuro?”
Uma Manaus mais verde. Mais humana. Mais organizada. Mais segura. Mais saudável. Mais inteligente. Mais conectada. Uma Manaus onde o progresso não seja medido apenas pela quantidade de prédios ou carros nas ruas, mas também pela qualidade de vida de quem vive aqui.
Uma Manaus onde uma criança possa crescer cercada de árvores. Onde um trabalhador possa chegar em casa mais cedo. Onde um idoso possa caminhar em uma praça arborizada. Onde uma família possa desfrutar de um igarapé recuperado.
Onde o cidadão possa olhar para a cidade e sentir orgulho de viver nela.
Pode parecer sonho. Mas talvez seja justamente esse o primeiro passo. Imaginar. Depois planejar. Depois trabalhar. E finalmente transformar.
Os políticos têm uma responsabilidade enorme nesse processo, mas a cidade também pertence aos seus moradores. A Manaus do futuro não será construída apenas dentro dos gabinetes.
Ela será construída nas ruas, nos bairros, nas escolas, nas universidades, nas empresas e nas decisões de cada cidadão. Por isso, hoje eu prefiro não terminar esta reflexão reclamando. Prefiro terminar sonhando.
MANAUS, UM SONHO POSSÍVEL.
Uma cidade onde a natureza e o futuro caminhem juntos. Uma cidade que olhe para a Amazônia não como um obstáculo ao desenvolvimento, mas como sua maior inspiração.
Uma cidade que possa ser moderna sem deixar de ser amazônica. Porque Manaus já é única. Talvez esteja na hora de imaginar tudo aquilo que ela ainda pode ser.
Almir Souza
Redator, escritor, pesquisador e compositor
Olhar do Norte Brasil
