QUEM É VOCÊ? A pergunta que fez a natação amazonense reagir.. A natação amazonense viveu, nos últimos dias, um dos debates mais intensos dos últimos tempos. O que começou com manifestações de atletas da categoria Master ganhou proporções muito maiores nas redes sociais e abriu espaço para que nadadores, pais e pessoas ligadas à modalidade apresentassem críticas, questionamentos e reivindicações sobre os rumos do esporte no Amazonas.
Segundo os números acompanhados pelo Olhar do Norte Brasil, o conteúdo publicado nas redes sociais ultrapassou a marca de 10 mil interações entre visualizações, curtidas, comentários e manifestações. Mais importante que os números, porém, foi o conteúdo que surgiu nos comentários. A natação amazonense resolveu falar.
QUANDO O ATLETA DECIDE FALAR
Durante anos, atletas de diferentes categorias convivem com questões que, segundo seus relatos, precisam ser discutidas: estrutura para treinamento e competição, organização dos eventos, valores de inscrições, premiações, comunicação, transparência e tratamento dispensado aos participantes.
São reclamações que não partem de uma única categoria. Elas envolvem atletas Senior, Master e outras categorias, além de pais que acompanham de perto a rotina dos filhos e sabem quanto custa manter um atleta dentro da piscina.
Mensalidade.Equipamentos.Alimentação.Transporte.Viagens.Hospedagem.Inscrições. Por trás de cada atleta existe uma família, um treinador e uma história de dedicação.
E ENTÃO VEIO A PERGUNTA
No meio de uma discussão que já estava bastante acalorada, uma manifestação da ex-presidente da Federação Amazonense de Desportos Aquáticos, Claudia Lisboa Nobre, chamou a atenção.
Em respostas dirigidas a participantes do debate, apareceu uma pergunta que acabou ficando marcada: “QUEM É VOCÊ?” A frase foi direcionada, nas manifestações publicadas, ao nadador Davi Gomes e às nadadoras Senior Ammy Coelho e Kátia Almeida.
A partir daquele momento, a discussão ganhou ainda mais intensidade. Outros atletas e pais entraram no debate. Novos relatos apareceram. Novas cobranças foram feitas. E aquilo que inicialmente poderia parecer apenas mais uma discussão nas redes sociais acabou revelando algo maior: existe uma parcela da comunidade da natação que quer ser ouvida.
MAS QUEM SÃO ELES?
Davi Gomes é um dos nomes de destaque da natação amazonense na atualidade. Ammy Coelho é nadadora Senior e também atua profissionalmente na área de nutrição. Kátia Almeida é nadadora Senior e uma das atletas que vêm participando das manifestações relacionadas à modalidade.
São pessoas que estão dentro da piscina, conhecem a rotina dos treinamentos e vivem diretamente a realidade do esporte.Por isso, a pergunta ganhou uma dimensão que ultrapassou seus destinatários.
Quem é você?
É o atleta que treina diariamente? É o pai que faz sacrifícios para manter o filho no esporte? É o treinador que dedica seu tempo à formação? É o atleta Senior que continua competindo para cuidar da saúde e mostrar aos mais jovens que o esporte pode acompanhar uma pessoa durante toda a vida?
A QUESTÃO DA TRANSPARÊNCIA
Entre os relatos recebidos pelo Olhar do Norte Brasil, uma das principais cobranças diz respeito à prestação de contas da FADA referente ao exercício de 2025.
Atletas e pessoas ligadas à modalidade questionam a necessidade de conhecer de forma clara a arrecadação proveniente de inscrições e competições, as despesas realizadas, os recursos disponíveis e a destinação desses valores.
A pergunta é objetiva: Quanto entra? Quanto sai? E onde o dinheiro é aplicado? Essa é uma questão que pode — e deve — ser respondida documentalmente. Transparência não deveria ser motivo de conflito. Transparência é obrigação de uma gestão esportiva perante aqueles que fazem o esporte acontecer.
O CUSTO DE SER ATLETA
Outra reclamação recorrente envolve os valores necessários para participar das competições. Atletas relatam que, dependendo do número de provas disputadas, o custo aumenta significativamente. E a discussão não está apenas no valor da inscrição.
Está no conjunto. O atleta paga para treinar. A família investe. O atleta viaja. Compra equipamentos. Dedica horas ao treinamento. E espera encontrar, no momento da competição, uma estrutura compatível com todo esse esforço.
Por isso, uma competição não deveria ser vista apenas como “cair na água”. Existe toda uma preparação por trás daquele momento.
PREMIAÇÃO TAMBÉM É RECONHECIMENTO
Outro ponto levantado pelos atletas diz respeito às premiações. Há relatos de redução no reconhecimento dos segundos e terceiros colocados em determinadas competições. Para quem está de fora, pode parecer apenas um troféu.
Para o atleta, representa o reconhecimento de meses de treinamento. Premiar não é apenas entregar uma medalha. É reconhecer esforço.
E A ISONOMIA ENTRE OS CLUBES?
Também surgiram questionamentos relacionados à necessidade de garantir igualdade de tratamento entre clubes e atletas. Esse é um tema que precisa ser tratado com responsabilidade.
Eventuais acusações de favorecimento ou benefícios diferenciados precisam ser acompanhadas de documentos, registros e explicações oficiais. O princípio, entretanto, é simples: uma federação deve garantir regras iguais para todos os participantes.
Clubes diferentes precisam competir dentro das mesmas condições. Atletas precisam confiar que as regras são aplicadas da mesma maneira. E qualquer dúvida sobre isso merece esclarecimento.
NÃO É SOBRE UMA PESSOA
Talvez esse seja o ponto mais importante desta reportagem. Não é sobre Claudia. Não é sobre Neto. Não é sobre Davi. Não é sobre Kátia. Não é sobre Ammy. Não é sobre um clube. É sobre a natação amazonense.
Uma modalidade que possui atletas talentosos, profissionais dedicados, famílias que fazem sacrifícios e uma história que merece ser respeitada. O debate precisa deixar de ser uma guerra de comentários e transformar-se em uma oportunidade de diálogo.
AGORA É HORA DE RESPOSTAS
O Olhar do Norte Brasil entende que todas as questões apresentadas pelos atletas precisam ser respondidas. E a FADA também precisa ter seu espaço. Por isso, a reportagem está aberta ao posicionamento oficial da Federação sobre os questionamentos apresentados pela comunidade da natação.
Prestação de contas. Competições. Inscrições. Premiações. Estrutura. Isonomia. Comunicação. Não estamos apresentando acusações como verdades definitivas. Estamos apresentando perguntas que surgiram de quem vive a natação. E esperamos respostas.
Porque o jornalismo precisa ouvir quem reclama, mas também precisa ouvir quem é questionado.
QUEM É VOCÊ?
Talvez essa pergunta, que provocou tanta reação, possa agora ganhar outro significado. Quem é você? Somos atletas. Somos pais. Somos treinadores. Somos profissionais. Somos clubes. Somos a comunidade que mantém a natação viva.
E, acima de tudo, somos pessoas que querem ver o esporte amazonense crescer. Dentro da piscina, todos entram para disputar. Fora dela, todos deveriam trabalhar para construir. A natação amazonense não precisa de mais uma briga. Precisa de diálogo, transparência, respeito e futuro.
E talvez tenha chegado o momento de todos sentarem à mesma mesa. Porque, no final, existe uma pergunta que não deveria ser dirigida apenas a um atleta:
QUEM É VOCÊ?
Você é parte da natação amazonense.
E quem faz parte dela merece ser ouvido.
Reportagem: Almir Souza – Editor Responsável
Portal Olhar do Norte Brasil
