Petróleo de Urucu: riqueza que ainda não transformou Coari.. A Petrobras anunciou um investimento de R$ 2,5 bilhões para ampliar a produção de petróleo e gás na Província Petrolífera de Urucu, em Coari, no Amazonas. O anúncio foi feito em Manaus, durante evento que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora muitos enxerguem a notícia como uma oportunidade para fortalecer a economia do município, a realidade de Coari mostra que a exploração petrolífera, iniciada há décadas, ainda não foi capaz de promover mudanças estruturais significativas na vida da população.
Localizada no coração da Floresta Amazônica, Urucu é considerada a maior província petrolífera terrestre do Brasil. Atualmente, produz cerca de 105 mil barris de óleo equivalente por dia. Com o novo investimento, a Petrobras pretende perfurar novos poços e instalar aproximadamente 40 quilômetros de linhas para transporte de petróleo e gás, ampliando a produção em cerca de 4.400 barris por dia — um aumento inferior a 5%.
A produção da região possui papel estratégico para o abastecimento energético da Região Norte. O gás natural extraído em Urucu contribui para grande parte da geração de energia elétrica consumida em Manaus e em municípios do interior. O gás de cozinha produzido na região abastece todos os estados da Região Norte e parte do Nordeste.
No entanto, a riqueza gerada pela atividade continua contrastando com a realidade enfrentada por muitos moradores de Coari. Problemas relacionados à infraestrutura urbana, serviços públicos, geração de empregos e fornecimento de energia ainda fazem parte do cotidiano da população.
Essa contradição foi registrada na série de reportagens e no documentário “Insustentável: a realidade do petróleo na Amazônia”, produzido pelos jornalistas André Borges, Ruy Baron e Fernanda Ligabue. Durante visitas ao município, foram relatadas dificuldades que persistem mesmo após décadas de exploração petrolífera.
Para Gleides Menezes, coordenadora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em Coari, a presença da indústria do petróleo não resultou em melhorias proporcionais à riqueza produzida. Segundo ela, a população ainda convive com precariedades em áreas essenciais e com a falta de alternativas econômicas capazes de gerar emprego e renda de forma sustentável.
Durante o anúncio do investimento, o presidente Lula destacou a importância da Petrobras para a geração de empregos e o fortalecimento da economia nacional. Entretanto, o caso de Coari levanta uma reflexão importante: como transformar a riqueza produzida pelos recursos naturais em desenvolvimento efetivo para quem vive na região?
A questão não está apenas na produção de petróleo, mas na forma como os recursos gerados são administrados ao longo dos anos. Coari continua sendo um dos principais exemplos de uma Amazônia rica em recursos naturais, mas que ainda busca converter essa riqueza em qualidade de vida para sua população.
Quase quarenta anos após o início das operações em Urucu, permanece a pergunta: onde estão os resultados que deveriam ter transformado a realidade do município?
Por Almir Souza
Redação Olhar do Norte Brasil
Foto: AAS
