ONDE ESTÁ O ESPORTE DO AMAZONAS? Temos atletas, arenas, piscinas e recursos públicos. O que falta é transformar estrutura e investimento em oportunidade para a nossa juventude.. O Amazonas tem talento. Tem crianças que sonham em ser atletas, pais que fazem sacrifícios para acompanhar os filhos, treinadores que continuam trabalhando e jovens que poderiam chegar muito mais longe.
Também temos estruturas esportivas importantes. Temos a Arena da Amazônia, que já recebeu Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Temos a Arena Amadeu Teixeira, uma estrutura de grande porte. Temos piscina olímpica e outros equipamentos que poderiam contribuir para a formação esportiva.
Mas existe uma pergunta que precisa ser feita: Estamos aproveitando tudo isso para formar nossos jovens? Não estamos dizendo que essas estruturas estejam abandonadas.
A questão é outra: estão sendo utilizadas de maneira permanente e suficiente para o esporte? Uma arena pode receber shows. Claro que pode. Mas também precisa receber competições.
Uma piscina olímpica precisa estar a serviço da natação. Ginásios precisam receber atletas. Quadras precisam receber crianças. Porque equipamento esportivo público não pode ser apenas uma estrutura bonita. Precisa estar em movimento.
O atleta não vive apenas de talento
Quem acompanha o esporte de perto sabe que medalha não nasce no dia da competição. Existe treinamento. Disciplina. Alimentação. Descanso. Preparação psicológica. Investimento. Competições.
E principalmente, continuidade. Quando calendários são alterados, adiados ou não são cumpridos como planejado, quem sofre é o atleta. Famílias se organizam. Treinadores preparam seus alunos. Viagens são programadas.
Todo um planejamento pode ser prejudicado. E existem ainda reclamações que precisam ser levadas a sério em determinadas competições: problemas de estrutura, equipamentos, placares e ausência ou insuficiência de atendimento de emergência.
Não estamos afirmando que isso aconteça em todas as competições. Estamos dizendo que atletas e famílias relatam essas situações e elas precisam ser investigadas. Porque antes da medalha existe algo mais importante: A segurança de quem está competindo E as federações?
As federações têm papel fundamental no desenvolvimento de cada modalidade. Mas é legítimo perguntar: Quantas competições são realizadas por ano? O calendário é cumprido? Quantos atletas participam?
Como são descobertos novos talentos? Como funcionam as categorias de base? Quais projetos estão sendo desenvolvidos? Como são utilizados os recursos públicos recebidos?
Essas perguntas não representam uma guerra contra dirigentes. Representam direito à informação. Quando dinheiro público é destinado ao esporte, a sociedade tem o direito de saber onde foi aplicado e qual resultado produziu.
Não basta anunciar o investimento. É preciso mostrar o resultado. O esporte precisa chegar aos bairros Enquanto existem grandes equipamentos esportivos, milhares de jovens vivem nos bairros de Manaus.
E muitos convivem diariamente com uma realidade marcada pela violência, falta de oportunidades e ausência de atividades capazes de despertar novos interesses. É justamente aí que o esporte pode fazer diferença.
Uma quadra ocupada é melhor do que uma quadra vazia. Um jovem treinando é melhor do que um jovem sem perspectiva. Uma equipe reunida é melhor do que uma rua dominada pela violência. O esporte não resolve sozinho todos os problemas sociais. Mas pode mudar o caminho de uma vida.
E a educação precisa caminhar junto
O mesmo raciocínio vale para a música. O próprio Olhar do Norte Brasil vem tentando aproximar projetos de música das escolas de Manaus. E encontramos dificuldades para apresentar e implantar essa proposta. Isso também nos fez refletir.
Se queremos jovens criativos, precisamos criar espaços para que eles possam experimentar. Música, esporte, cultura, tecnologia e ciência precisam entrar na formação dos nossos jovens.
Não como atividades secundárias. Mas como instrumentos de desenvolvimento.
Talento não escolhe bairro
Pode existir um futuro campeão de natação em uma comunidade. Um grande jogador de tênis em um bairro distante. Um atleta olímpico no interior. Um músico dentro de uma escola sem instrumentos. Um pesquisador em uma sala de aula sem laboratório.
O talento pode estar em qualquer lugar. A diferença muitas vezes está em quem abre a porta para ele. Não é contra o esporte. É pelo esporte. O Olhar do Norte Brasil não quer apontar culpados sem provas.
Queremos respostas. Queremos ouvir atletas. Pais. Treinadores. Professores. Federações. Dirigentes. Secretaria de Esporte. Poder público. Queremos saber quais são os projetos, quais são os investimentos, quais são os calendários e quais resultados estão sendo entregues.
Porque o dinheiro público pertence à sociedade. As estruturas públicas pertencem à sociedade. E os jovens também pertencem ao futuro do Amazonas. O Amazonas não precisa apenas de grandes arenas.
Precisa de grandes oportunidades. Não precisa apenas de campeonatos. Precisa de formação permanente. Não precisa apenas descobrir campeões. Precisa formar cidadãos através do esporte.
E talvez esteja na hora de fazermos uma pergunta que parece simples, mas é enorme: SE TEMOS TALENTO, ESTRUTURA E INVESTIMENTO, POR QUE AINDA É TÃO DIFÍCIL COLOCAR O ESPORTE DO AMAZONAS EM MOVIMENTO?
Por Almir Souza
Redação Olhar do Norte Brasil
Imagem AAS
