Ao acessar este site, você concorda com a nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.
Aceitar

Olhar do Norte Brasil

Font ResizerAa
  • Início
  • Sobre nós
  • Excelência Amazônica
  • Amazônia
    • Turismo
    • Esportes
  • Negócios
  • Manaus
  • Editorias
    • Tecnologia
    • Fauna & Flora
    • Gastronomia
    • Olhar 360
  • Fale Conosco
Lendo: O Pescador e o Filho Adotivo
Compartilhar
Font ResizerAa

Olhar do Norte Brasil

  • Início
  • Sobre nós
  • Excelência Amazônica
  • Amazônia
  • Negócios
  • Manaus
  • Editorias
  • Fale Conosco
Pesquisar
  • Início
  • Sobre nós
  • Excelência Amazônica
  • Amazônia
    • Turismo
    • Esportes
  • Negócios
  • Manaus
  • Editorias
    • Tecnologia
    • Fauna & Flora
    • Gastronomia
    • Olhar 360
  • Fale Conosco
Have an existing account? Sign In
Follow US
Olhar do Norte Brasil > Blog > Olhar 360 > O Pescador e o Filho Adotivo
Olhar 360

O Pescador e o Filho Adotivo

Última Atualização: 31 de janeiro de 2026 05:22
Almir Souza
Compartilhar
O Pescador e o Filho Adotivo - Não sei dizer exatamente como nasceu o amor entre Teodoro e Jacira. Só sei que nasceu longe, muito longe — lá no fundo do mato, onde o silêncio ensina mais do que qualquer escola. Teodoro era pescador. Pobre, como nunca fez questão de esconder. Nunca frequentou sala de aula, não sabia ler nem escrever, mas conhecia o rio como quem conhece o próprio corpo. Na rede, descansava o cansaço dos dias; na água, enfrentava tudo para não deixar faltar comida. Pescava para vender na cidade, não para enriquecer — apenas para não morrer de fome. Mesmo assim, alimentava um sonho grande demais para quem tinha tão pouco: ver o filho formado, doutor, alguém apontando e dizendo, sem constrangimento:Esse médico é filho de um pescador. O destino, porém, não costuma pedir licença. Jacira foi embora. Uns diziam que seguiu para a cidade grande com um antigo amor; outros nunca souberam ao certo. O fato é que Teodoro ficou. Ficou sozinho com Argeu nos braços — o filho que não era de sangue, mas era de alma. Criou-o com sacrifício. Houve dias em que não comeu para que o menino comesse duas vezes. Durante dezesseis anos, Argeu foi seu único mundo. Desde os dois anos de idade, aprenderam juntos que o que sustenta uma família não é o sobrenome, é o cuidado. Foram mais que pai e filho. Foram amigos. Companheiros contra tudo e todos. Teodoro nunca enxergou adoção como falta — para ele, adotar era amar em dobro. Nunca passou por sua cabeça explicar ao menino que não era seu filho biológico. Afinal, quem adota, o faz por amor. Pais de adoção são almas que sustentam outras almas em crescimento. O tempo passou. Argeu cresceu, estudou, conheceu novos caminhos, novos amigos, um namoro. E, aos poucos, foi se afastando do pai. Quatro anos se passaram. No último ano, quase não dava notícias. Até que um dia, a saudade apertou demais em Teodoro. Vestiu seu melhor terno de brim e foi atrás do filho Ao chegar, alguém lhe disse:Seu filho está recebendo hoje o diploma de doutor. O coração do pescador quase saiu do peito. Queria abraçar o filho do coração, viver aquele momento único. Mas, ao se aproximar, Argeu foi direto, frio: Com esse terno você não pode entrar. Vá embora. - Volte para os seus peixes. Minha vida agora é outra. - Apresentar você aos meus amigos seria uma vergonha. Teodoro tentou falar: - Filho, para você estudar eu precisei muito pescar. Sou um homem honesto. Sempre quis um filho inteligente, formado… Parou. Respirou fundo. E completou, com a voz cansada: - Vejo na minha frente alguém que estudou muito, mas não aprendeu o essencial. Quem rejeita o pai rejeita a si mesmo — e carrega um vazio que diploma nenhum preenche. Teodoro baixou a cabeça e saiu. As lágrimas misturavam-se à poeira do caminho. Aquele deveria ser o dia mais feliz de sua vida. De volta ao seu lugar, perdeu o gosto por tudo. Passava os dias na rede. Não pescava, não comia, apenas existia. Os amigos tentaram ajudar, mas a dor da ingratidão é silenciosa e profunda. Cerca de um ano depois, encontraram o pescador morto em sua rede. Magro. Encolhido. Com o rosto marcado por um sofrimento que ninguém conseguiu aliviar. Teodoro carregou a dor da ingratidão até o fim. Nada dói tanto quanto a ingratidão de um filho. Sentiu que fracassou, que todo amor foi em vão — e mesmo assim, nunca deixou de amar. Todos atravessamos fases. Todos erramos. Uns mais, outros menos. Mas nunca abandone seu velho pai ou sua velha mãe. Graças a eles, você existe. Um coração idoso continua amando — mas precisa de muito mais cuidado. Porque amor é vida. Quando você muda a maneira como vê as coisas, as coisas que você vê também mudam. Por Almir Souza Revista Fama Amazônica O Pescador e o Filho Adotivo - Não sei dizer exatamente como nasceu o amor entre Teodoro e Jacira. Só sei que nasceu longe, muito longe — lá no fundo do mato, onde o silêncio ensina mais do que qualquer escola. Teodoro era pescador. Pobre, como nunca fez questão de esconder. Nunca frequentou sala de aula, não sabia ler nem escrever, mas conhecia o rio como quem conhece o próprio corpo. Na rede, descansava o cansaço dos dias; na água, enfrentava tudo para não deixar faltar comida. Pescava para vender na cidade, não para enriquecer — apenas para não morrer de fome. Mesmo assim, alimentava um sonho grande demais para quem tinha tão pouco: ver o filho formado, doutor, alguém apontando e dizendo, sem constrangimento:Esse médico é filho de um pescador. O destino, porém, não costuma pedir licença. Jacira foi embora. Uns diziam que seguiu para a cidade grande com um antigo amor; outros nunca souberam ao certo. O fato é que Teodoro ficou. Ficou sozinho com Argeu nos braços — o filho que não era de sangue, mas era de alma. Criou-o com sacrifício. Houve dias em que não comeu para que o menino comesse duas vezes. Durante dezesseis anos, Argeu foi seu único mundo. Desde os dois anos de idade, aprenderam juntos que o que sustenta uma família não é o sobrenome, é o cuidado. Foram mais que pai e filho. Foram amigos. Companheiros contra tudo e todos. Teodoro nunca enxergou adoção como falta — para ele, adotar era amar em dobro. Nunca passou por sua cabeça explicar ao menino que não era seu filho biológico. Afinal, quem adota, o faz por amor. Pais de adoção são almas que sustentam outras almas em crescimento. O tempo passou. Argeu cresceu, estudou, conheceu novos caminhos, novos amigos, um namoro. E, aos poucos, foi se afastando do pai. Quatro anos se passaram. No último ano, quase não dava notícias. Até que um dia, a saudade apertou demais em Teodoro. Vestiu seu melhor terno de brim e foi atrás do filho Ao chegar, alguém lhe disse:Seu filho está recebendo hoje o diploma de doutor. O coração do pescador quase saiu do peito. Queria abraçar o filho do coração, viver aquele momento único. Mas, ao se aproximar, Argeu foi direto, frio: Com esse terno você não pode entrar. Vá embora. - Volte para os seus peixes. Minha vida agora é outra. - Apresentar você aos meus amigos seria uma vergonha. Teodoro tentou falar: - Filho, para você estudar eu precisei muito pescar. Sou um homem honesto. Sempre quis um filho inteligente, formado… Parou. Respirou fundo. E completou, com a voz cansada: - Vejo na minha frente alguém que estudou muito, mas não aprendeu o essencial. Quem rejeita o pai rejeita a si mesmo — e carrega um vazio que diploma nenhum preenche. Teodoro baixou a cabeça e saiu. As lágrimas misturavam-se à poeira do caminho. Aquele deveria ser o dia mais feliz de sua vida. De volta ao seu lugar, perdeu o gosto por tudo. Passava os dias na rede. Não pescava, não comia, apenas existia. Os amigos tentaram ajudar, mas a dor da ingratidão é silenciosa e profunda. Cerca de um ano depois, encontraram o pescador morto em sua rede. Magro. Encolhido. Com o rosto marcado por um sofrimento que ninguém conseguiu aliviar. Teodoro carregou a dor da ingratidão até o fim. Nada dói tanto quanto a ingratidão de um filho. Sentiu que fracassou, que todo amor foi em vão — e mesmo assim, nunca deixou de amar. Todos atravessamos fases. Todos erramos. Uns mais, outros menos. Mas nunca abandone seu velho pai ou sua velha mãe. Graças a eles, você existe. Um coração idoso continua amando — mas precisa de muito mais cuidado. Porque amor é vida. Quando você muda a maneira como vê as coisas, as coisas que você vê também mudam. Por Almir Souza Revista Fama Amazônica O Pescador e o Filho Adotivo
AAS
Compartilhar

O Pescador e o Filho Adotivo – Não sei dizer exatamente como nasceu o amor entre Teodoro e Jacira. Só sei que nasceu longe, muito longe — lá no fundo do mato, onde o silêncio ensina mais do que qualquer escola.

Teodoro era pescador. Pobre, como nunca fez questão de esconder. Nunca frequentou sala de aula, não sabia ler nem escrever, mas conhecia o rio como quem conhece o próprio corpo. Na rede, descansava o cansaço dos dias; na água, enfrentava tudo para não deixar faltar comida. Pescava para vender na cidade, não para enriquecer — apenas para não morrer de fome.

Mesmo assim, alimentava um sonho grande demais para quem tinha tão pouco: ver o filho formado, doutor, alguém apontando e dizendo, sem constrangimento: Esse médico é filho de um pescador.

O destino, porém, não costuma pedir licença. Jacira foi embora. Uns diziam que seguiu para a cidade grande com um antigo amor; outros nunca souberam ao certo. O fato é que Teodoro ficou. Ficou sozinho com Argeu nos braços — o filho que não era de sangue, mas era de alma.

Criou-o com sacrifício. Houve dias em que não comeu para que o menino comesse duas vezes. Durante dezesseis anos, Argeu foi seu único mundo. Desde os dois anos de idade, aprenderam juntos que o que sustenta uma família não é o sobrenome, é o cuidado. Foram mais que pai e filho. Foram amigos. Companheiros contra tudo e todos.

Teodoro nunca enxergou adoção como falta — para ele, adotar era amar em dobro. Nunca passou por sua cabeça explicar ao menino que não era seu filho biológico. Afinal, quem adota, o faz por amor. Pais de adoção são almas que sustentam outras almas em crescimento.

O tempo passou. Argeu cresceu, estudou, conheceu novos caminhos, novos amigos, um namoro. E, aos poucos, foi se afastando do pai. Quatro anos se passaram. No último ano, quase não dava notícias. Até que um dia, a saudade apertou demais em Teodoro. Vestiu seu melhor terno de brim e foi atrás do filho Ao chegar, alguém lhe disse: Seu filho está recebendo hoje o diploma de doutor.

O coração do pescador quase saiu do peito. Queria abraçar o filho do coração, viver aquele momento único. Mas, ao se aproximar, Argeu foi direto, frio: Com esse terno você não pode entrar. Vá embora. – Volte para os seus peixes. Minha vida agora é outra. – Apresentar você aos meus amigos seria uma vergonha. Teodoro tentou falar: – Filho, para você estudar eu precisei muito pescar. Sou um homem honesto. Sempre quis um filho inteligente, formado…

Parou. Respirou fundo. E completou, com a voz cansada: – Vejo na minha frente alguém que estudou muito, mas não aprendeu o essencial. Quem rejeita o pai rejeita a si mesmo — e carrega um vazio que diploma nenhum preenche. Teodoro baixou a cabeça e saiu. As lágrimas misturavam-se à poeira do caminho. Aquele deveria ser o dia mais feliz de sua vida.

De volta ao seu lugar, perdeu o gosto por tudo. Passava os dias na rede. Não pescava, não comia, apenas existia. Os amigos tentaram ajudar, mas a dor da ingratidão é silenciosa e profunda. Cerca de um ano depois, encontraram o pescador morto em sua rede.

Magro. Encolhido. Com o rosto marcado por um sofrimento que ninguém conseguiu aliviar.

Teodoro carregou a dor da ingratidão até o fim. Nada dói tanto quanto a ingratidão de um filho. Sentiu que fracassou, que todo amor foi em vão — e mesmo assim, nunca deixou de amar.

Todos atravessamos fases. Todos erramos. Uns mais, outros menos. Mas nunca abandone seu velho pai ou sua velha mãe. Graças a eles, você existe.

Um coração idoso continua amando — mas precisa de muito mais cuidado. Porque amor é vida. Quando você muda a maneira como vê as coisas, as coisas que você vê também mudam.

Por Almir Souza – Escritor
Fonte Redação Fama
Foto AAS

Você pode gostar também...

Realidade e polêmica dos bebês “reborn”
Quanto Vale Viver Mais 1 Ano
A Literatura Amazonense: Um Espelho da Floresta e de Seu Povo
Desejo de Ser Feliz
Amazonas Meu Amor por Almir Souza
Compartilhar este artigo
Facebook Email Imprimir
Nenhum comentário

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Populares
Brasil irá distribuir vacina contra a dengue em 2024
Manaus

Brasil irá distribuir vacina contra a dengue em 2024

O conto de uma mulher com alma livre
Abril: mês de memórias esquecidas por Almir Souza
Editorial de Natal 2025 – Amazônia: O Milagre Que Ainda Podemos Escolher
Quem São Nossos Heróis? No Amazonas

Olhar do Norte Brasil

O Olhar do Norte Brasil é um portal de notícias que informa sobre o Amazonas e a região Norte, com conteúdo atualizado, confiável e foco na realidade local.
2026 © Olhar do Norte | UNO
X Este site utiliza cookies e tecnologias de scripts externos para melhorar a sua experiência de navegação. Ao clicar em "Prosseguir" ou continuar no site, consideramos que você concorda com a atualização da nossa Política de Privacidade e Política de Cookies. No futuro, tais informações poderão ser analisadas para ajudar nas nossas iniciativas de marketing.
Leia Mais CONFIGURAR ACEITAR
Manage consent

Privacy Overview

This website uses cookies to improve your experience while you navigate through the website. Out of these cookies, the cookies that are categorized as necessary are stored on your browser as they are essential for the working of basic functionalities of the website. We also use third-party cookies that help us analyze and understand how you use this website. These cookies will be stored in your browser only with your consent. You also have the option to opt-out of these cookies. But opting out of some of these cookies may have an effect on your browsing experience.
Necessary
Sempre habilitado
Necessary cookies are absolutely essential for the website to function properly. These cookies ensure basic functionalities and security features of the website, anonymously.
CookieDuraçãoDescrição
cookielawinfo-checkbox-analytics11 monthsThis cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics".
cookielawinfo-checkbox-functional11 monthsThe cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional".
cookielawinfo-checkbox-necessary11 monthsThis cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary".
cookielawinfo-checkbox-others11 monthsThis cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other.
cookielawinfo-checkbox-performance11 monthsThis cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance".
viewed_cookie_policy11 monthsThe cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data.
Functional
Functional cookies help to perform certain functionalities like sharing the content of the website on social media platforms, collect feedbacks, and other third-party features.
Performance
Performance cookies are used to understand and analyze the key performance indexes of the website which helps in delivering a better user experience for the visitors.
Analytics
Analytical cookies are used to understand how visitors interact with the website. These cookies help provide information on metrics the number of visitors, bounce rate, traffic source, etc.
Advertisement
Advertisement cookies are used to provide visitors with relevant ads and marketing campaigns. These cookies track visitors across websites and collect information to provide customized ads.
Others
Other uncategorized cookies are those that are being analyzed and have not been classified into a category as yet.
Salvar e aceitar
Welcome Back!

Sign in to your account

Usuário ou Email
Senha

Perdeu a senha?