Olhar do Norte Brasil – O Amazonas e o pobre empreendedor: entre a sobrevivência e o protagonismo – Durante muito tempo, existiu um pensamento silencioso no Amazonas: empreender não era escolha… era necessidade. O chamado “pobre empreendedor” nunca foi visto como empresário. Era o ambulante, o autônomo, o pequeno vendedor tentando sobreviver em meio à falta de oportunidades formais. E esse pensamento… ainda não desapareceu.
O Brasil que avança — e a realidade que resiste – O empreendedorismo no Brasil cresceu.
Segundo o SEBRAE, o país já soma milhões de empreendedores entre micro, pequenas e médias empresas. O ambiente de negócios evoluiu, com incentivos, acesso à tecnologia e o surgimento de startups inovadoras.
Empresas como Nubank, iFood e Loggi mostram que o Brasil tem capacidade de inovar e competir. Mas essa não é a realidade de todos.
No Amazonas, especialmente nas periferias de Manaus, empreender ainda é um ato de resistência.
Empreender aqui ainda é difícil- Falta crédito. Falta orientação contínua. Falta estrutura, principalmente, falta transformar esforço em crescimento.
O que se vê nas ruas não é um ecossistema forte. É uma multidão tentando manter pequenos negócios vivos. Empreender, aqui, ainda é sobreviver ao dia seguinte.
Quando o apoio chega: o papel do SEBRAE
Mesmo diante desse cenário, iniciativas vêm tentando mudar essa realidade. Um exemplo recente foi a 6ª edição do programa Sebrae Delas – O Poder é Delas, promovido pelo SEBRAE no Amazonas.
Realizado em Manaus, o evento reuniu mais de 900 mulheres em uma tarde de conexão, aprendizado e geração de oportunidades.
Mais do que números, o evento revelou uma realidade importante: Mais de 175 mil mulheres empreendem no Amazonas. E mais da metade sustenta suas famílias com seus negócios.
Mas há um alerta forte: menos de 20% estão formalizadas.
Empreendedorismo feminino: força que transforma
O evento deixou claro que o empreendedorismo feminino vai além da renda. Ele transforma famílias. Movimenta comunidades. Gera impacto social real.
A proposta do programa é direta: fortalecer a mulher, estruturar o negócio e criar conexões.
E isso muda tudo.
Porque empreender não é só ter uma ideia. É ter acesso ao caminho.
Mais do que inspiração: execução
Durante o evento, um ponto ficou evidente: Ideias não transformam realidades. Execução transforma. Disciplina, estratégia e adaptação foram apontadas como pilares para crescer.
A internet, hoje, também aparece como ferramenta poderosa — democratizando visibilidade e abrindo espaço para novos negócios.
Mas ainda existe uma barreira clara: acesso ao crédito e às oportunidades.
O Amazonas precisa mudar o olhar
O problema nunca foi falta de gente empreendendo. O problema é como esses empreendedores são vistos — e apoiados.
O Amazonas precisa parar de tratar o pequeno como invisível, e começar a enxergá-lo como motor da economia.
Isso exige: Mais acesso ao crédito – Menos burocracia – Mais presença nas periferias – E políticas públicas que realmente funcionem
Conclusão: o futuro já começou — mas ainda não chegou para todos
O antigo pensamento ainda existe.
Mas eventos como esse mostram que uma nova realidade está sendo construída.
O Amazonas tem força.
Tem talento.
Tem gente fazendo acontecer todos os dias.
Agora falta o principal: Transformar sobrevivência em crescimento. E empreendedor em protagonista.
Porque quando o pequeno cresce… a Amazônia cresce junto.
Por Almir Souza
Redação Olhar do Norte Brasil
Foto AAS