Milton Hatoum entra para a história como o primeiro amazonense na ABL. Milton Hatoum quebra um silêncio de 128 anos e leva a Amazônia para o centro da Academia Brasileira de Letras
A literatura brasileira acaba de corrigir uma ausência histórica. O escritor Milton Hatoum, nascido em Manaus em 1952, tornou-se o primeiro amazonense a ingressar na Academia Brasileira de Letras em seus mais de 120 anos de existência.
Eleito em agosto de 2025 e empossado em 24 de abril de 2026, Hatoum passa a ocupar a tradicional cadeira nº 6, sucedendo o jornalista Cícero Sandroni. Mais do que uma conquista individual, o momento representa um deslocamento simbólico: o Norte do Brasil finalmente ocupa um espaço que sempre lhe pertenceu por direito — o da produção intelectual de alto nível.
UM FEITO QUE VAI ALÉM DA LITERATURA
Durante 128 anos, nenhuma voz nascida no Amazonas havia atravessado as portas da ABL. A chegada de Hatoum rompe esse ciclo e reposiciona a Amazônia no mapa cultural do país.
Não se trata apenas de reconhecimento — trata-se de representatividade. Sua obra, profundamente enraizada em Manaus, nunca buscou se adaptar ao eixo dominante. Pelo contrário: trouxe o Brasil profundo para o centro da narrativa.
A AMAZÔNIA COMO PROTAGONISTA
Autor de romances consagrados como Relato de um Certo Oriente e Dois Irmãos, Hatoum construiu uma literatura marcada por: conflitos familiares intensos – memória e identidade – heranças culturais –
e a presença viva da cidade de Manaus como personagem – Em seus livros, a Amazônia não é cenário exótico — é estrutura, é tensão, é linguagem.
TRAJETÓRIA DE PESO INTERNACIONAL
Vencedor de três Prêmios Jabuti, Hatoum consolidou uma carreira que ultrapassa fronteiras: obras traduzidas em diversos idiomas – atuação como professor universitário – trabalho como tradutor e cronista.
Sua escrita dialoga com o mundo sem abandonar suas raízes — algo raro e poderoso.
O SIGNIFICADO DESSE MOMENTO
A entrada de Hatoum na ABL não é apenas uma homenagem. É um sinal de mudança — ainda tardia, mas necessária. Por décadas, o Brasil cultural foi narrado a partir de poucos centros. Agora, começa a reconhecer que suas margens sempre foram, na verdade, o seu coração.
QUANDO A AMAZÔNIA FALA, O BRASIL PRECISA OUVIR
A posse de Milton Hatoum marca mais do que um capítulo na história da literatura. Marca o início de uma nova escuta.
Uma escuta que vem dos rios, das memórias, das famílias, das contradições e da força silenciosa da Amazônia. E dessa vez, não há como ignorar.
A Amazônia chegou à Academia Brasileira de Letras. Depois de 128 anos, um escritor nascido em Manaus rompe o silêncio histórico.
Fico à disposição
Por Almir Souza
Redação Olhar do Norte Brasil
Foto AAS