A Manaus das Mangueiras e Quintais.. Houve um tempo em que Manaus era mais verde. Muito mais verde. Antes dos muros altos, dos condomínios fechados e do crescimento acelerado da cidade, as casas tinham quintais amplos, árvores frutíferas e espaço para as crianças correrem livres até o cair da tarde.
As mangueiras faziam parte da paisagem. Eram tantas que, em determinadas épocas do ano, as ruas ficavam perfumadas pelo cheiro das frutas maduras. Os galhos avançavam sobre as calçadas.
As sombras protegiam do calor amazônico. E as mangas, generosas, muitas vezes eram compartilhadas entre vizinhos. Era comum ver crianças disputando quem encontrava primeiro uma manga caída.
Algumas carregavam sacolas. Outras subiam nos galhos mais baixos. E havia aquelas que voltavam para casa com as roupas sujas, mas felizes com a pequena colheita do dia.
Nos quintais, a vida seguia outro ritmo.
Havia pés de cupuaçu, goiaba, jambo, ingá, acerola e taperebá. Muitas famílias cultivavam pequenas hortas. Outras criavam galinhas ou mantinham jardins floridos que enchiam as manhãs de cores e perfumes.
Os quintais eram também locais de encontro. Ali aconteciam aniversários, almoços de domingo e longas conversas entre amigos e parentes.
As crianças brincavam de esconde-esconde. Os mais velhos sentavam em cadeiras de balanço. E as histórias passavam de uma geração para outra.
Naquela Manaus, a natureza não estava distante. Ela fazia parte da vida cotidiana. Os pássaros cantavam ao amanhecer. Os ventos atravessavam as copas das árvores. E o verde parecia abraçar a cidade.
Com o crescimento urbano, muitos quintais desapareceram. As árvores deram lugar ao concreto. Novos bairros surgiram. E a cidade ganhou outra dinâmica. Mas quem viveu aquela época guarda lembranças que permanecem vivas.
Lembra do sabor da manga colhida no pé. Do cheiro da terra molhada depois da chuva. Do balanço preso ao galho de uma árvore. E das tardes que pareciam não ter fim.
Porque a Manaus das mangueiras e quintais era mais do que um lugar. Era uma maneira de viver. Uma cidade onde a natureza fazia parte da família. Você se Lembra?
Havia uma mangueira na sua rua? Qual fruta era mais comum no quintal da sua casa? Como eram as brincadeiras nas tardes de infância? Existe alguma árvore antiga da sua família que ainda está de pé?
“Na Manaus dos quintais e das mangueiras, a riqueza não estava no que se possuía, mas nos momentos simples que a vida oferecia debaixo da sombra de uma árvore carregada de frutos e lembranças.”
Memórias do Norte. Por Almir Souza
Redação Olhar do Norte Brasil
Foto: Mauro Queiroz
