Economia do Amazonas perde força, mas emprego e indústria mostram sinais de reação.. A economia do Amazonas deu uma freada no fechamento do primeiro semestre de 2026. A atividade econômica caiu, os serviços tiveram um mês difícil e a produção industrial também recuou. Mas, ao mesmo tempo, existem sinais que apontam para um possível segundo semestre mais movimentado.
É uma situação que parece contraditória, mas fica mais fácil de entender quando olhamos para todos os números juntos. O Polo Industrial de Manaus (PIM) terminou o primeiro semestre com R$ 121,9 bilhões em faturamento. As empresas também aumentaram a compra de componentes e matérias-primas no exterior, enquanto o Estado alcançou um novo recorde de empregos formais.
Ou seja: a economia perdeu velocidade, mas não parou. Junho foi um mês difícil
O principal indicador de atividade econômica do Amazonas mostrou uma queda forte em junho. Na comparação com maio, a atividade caiu 9,25% sem ajuste e 4,44% quando são retirados os efeitos de calendário.
Na comparação com junho de 2025, também houve queda. Isso mostra que junho foi um mês de menor movimentação econômica. Mas existe um detalhe importante: a economia amazonense é muito ligada à indústria e, por isso, costuma apresentar oscilações maiores.
Nos meses de junho e julho, as empresas também costumam revisar estoques, encomendas e seus planos de produção para o restante do ano. Por isso, uma queda em determinado mês não significa necessariamente que toda a economia entrou em crise. O que vai dizer se essa redução foi passageira será o comportamento dos meses seguintes.
Comércio reage, mas serviços preocupam
O comércio apresentou uma reação em junho. O volume de vendas do varejo cresceu 3,24% em relação ao mês anterior, considerando os efeitos sazonais. Mas existe uma diferença interessante: nos últimos 12 meses, o volume vendido caiu 0,70%, enquanto a receita dos estabelecimentos aumentou 3%.
Traduzindo: o consumidor gastou mais dinheiro, mas não necessariamente levou mais produtos para casa.
Os preços ajudam a explicar essa diferença. Nos serviços, porém, a situação foi mais complicada. O setor registrou queda de 2,32% em junho e de 10,07% na comparação com junho de 2025.
Esse número merece atenção porque os serviços representam uma grande parcela dos empregos formais do Amazonas. Se essa fraqueza continuar por muito tempo, ela poderá chegar mais rapidamente ao bolso das famílias, afetando renda e consumo.
A indústria sentiu o impacto, mas o faturamento continua forte
A produção industrial amazonense caiu 11,31% em junho, já considerando os efeitos sazonais. Alguns setores tiveram quedas bastante expressivas, como informática, produtos químicos e o segmento de duas rodas e naval. Outros, como máquinas e equipamentos e metalurgia, apresentaram crescimento.
Mas existe um número que ajuda a colocar essa queda em perspectiva. Em junho, as fábricas do Polo Industrial de Manaus faturaram R$ 20,13 bilhões. No primeiro semestre, o faturamento chegou a R$ 121,9 bilhões, crescimento nominal de 8,4% em relação ao mesmo período anterior. Em dólares, o faturamento alcançou US$ 23,56 bilhões, aumento de 19,55%.
Isso mostra que olhar apenas para a produção de um determinado mês pode esconder uma parte importante da história.
O exemplo dos condicionadores de ar
Um exemplo ajuda a entender como esses números podem enganar quando analisados isoladamente. A produção de condicionadores de ar caiu 56,33% no primeiro semestre, enquanto o faturamento do segmento recuou 61,53%.
Mas, em junho, aconteceu uma reação: a produção das unidades evaporadoras aumentou 62% em relação a maio e alcançou um recorde mensal. O calor dos próximos meses poderá ajudar a aumentar a procura pelos aparelhos. Mas isso dependerá também dos estoques das lojas, do crédito disponível e da renda das famílias.
Portanto, a queda acumulada mostra o que aconteceu até agora. A reação de junho pode indicar o que poderá acontecer daqui para frente.
Um sinal vindo de fora: as empresas estão comprando mais
Talvez um dos números mais interessantes do levantamento esteja nas importações. O Polo Industrial de Manaus precisa importar muitos componentes, peças e matérias-primas que depois são utilizados na produção das fábricas.
Em julho, essas importações chegaram a US$ 1,64 bilhão, crescimento de 20% em relação a junho e de 17% na comparação com julho de 2025. Isso pode ser um sinal de preparação para um novo ciclo de produção.
Mas é importante fazer uma ressalva: comprar mais insumos não significa automaticamente produzir mais. É preciso que esses materiais cheguem às fábricas, sejam transformados em produtos, vendidos e cheguem aos consumidores.
Mesmo assim, o aumento das importações mostra que existe uma movimentação maior sendo preparada para o segundo semestre.
E aqui está a notícia que mais interessa às famílias
Enquanto alguns indicadores econômicos recuaram, o mercado de trabalho apresentou um resultado positivo. O Amazonas terminou julho com 578.982 empregos formais, superando o recorde anterior, registrado em novembro de 2025.
Os grandes setores apresentaram crescimento. Os serviços chegaram a 264.102 empregos. A construção civil teve crescimento de 5,45% e abriu 1.728 novas vagas no mês. A indústria também alcançou um número recorde, com 145.078 trabalhadores, sendo 135.152 na indústria de transformação.
Esse talvez seja o número mais importante de todos porque emprego não é apenas uma estatística.
É salário entrando em casa. É uma família podendo comprar comida. É alguém pagando aluguel. É uma pessoa conseguindo financiar alguma coisa. É dinheiro circulando no comércio.
É arrecadação para o poder público. Por isso, preservar os empregos e transformar os sinais de recuperação em novas oportunidades será um dos grandes desafios do segundo semestre.
Empresários amazonenses continuam confiantes
Outro dado chama atenção. A confiança dos empresários da indústria amazonense chegou a 57,26 pontos em agosto. Acima de 50, o indicador aponta confiança. No Brasil, o índice ficou em 46,3 pontos, indicando um ambiente de pessimismo na indústria nacional.
No Amazonas, a confiança pode estar relacionada ao bom faturamento acumulado do PIM, ao nível de emprego, ao aumento das importações e às expectativas relacionadas à Zona Franca durante a transição da Reforma Tributária.
Mas confiança sozinha não coloca dinheiro na economia. Ela precisa virar investimento, produção, contratação e inovação.
O dinheiro dos impostos também conta essa história
Outro ponto importante é a arrecadação. O Amazonas arrecadou R$ 14,48 bilhões em tributos federais no primeiro semestre, um recorde em valores nominais. A arrecadação estadual de ICMS chegou a R$ 9,45 bilhões até julho.
A indústria respondeu por 43,7% do ICMS arrecadado no período. Isso mostra algo que muitas vezes fica fora da discussão: a atividade industrial não movimenta apenas as fábricas.
Ela ajuda a movimentar empregos, fornecedores, comércio, serviços e também a arrecadação pública. O que podemos esperar do segundo semestre?
O retrato do Amazonas é de uma economia que perdeu força em junho, mas começou o segundo semestre apresentando sinais de preparação. De um lado, existem problemas: os serviços recuaram, a produção industrial caiu e a atividade econômica perdeu velocidade.
Do outro, existem sinais positivos: o faturamento do Polo Industrial de Manaus cresceu, as importações aumentaram, o emprego formal bateu recorde e os empresários continuam mais confiantes do que a média da indústria brasileira.
Agora vem a parte mais importante. Será preciso transformar as matérias-primas que estão chegando em produção. Transformar produção em vendas. Transformar vendas em renda. E transformar renda em mais empregos.
É essa sequência que poderá definir o desempenho da economia amazonense nos próximos meses. No final das contas, os números da economia precisam chegar à vida das pessoas.
Porque para o trabalhador de Manaus, para o comerciante do interior, para o pequeno empresário ou para uma família que depende do salário no fim do mês, a pergunta mais importante não é quanto a economia faturou.
A pergunta é: Esse crescimento vai chegar até mim? É isso que o segundo semestre de 2026 terá que responder.
Reportagem: Almir Souza – Editor Responsável
Portal Olhar do Norte Brasil
