“O Amazonas tem universidades recursos e instituições. A pergunta é: por que o desenvolvimento ainda demora a chegar à maioria da população?”. A pergunta é: por que o desenvolvimento ainda demora a chegar à maioria da população?” Amazonas: Temos Estruturas, Mas Onde Está o Resultado? Toda semana aparecem anúncios de novos investimentos no Amazonas. O CODAM aprova projetos, empresas ampliam suas atividades e os números impressionam.
São milhões de reais investidos e milhares de empregos anunciados. Isso é importante e ninguém pode negar que a Zona Franca de Manaus ajudou a transformar o Amazonas. Ela gerou empregos, fortaleceu a economia e permitiu a criação de universidades, centros de pesquisa e programas de desenvolvimento.
Mas existe uma pergunta que o amazonense faz há décadas: Onde está o resultado disso tudo para quem vive no interior?
Temos universidades espalhadas pelo estado. Temos institutos de pesquisa. Temos recursos para inovação. Temos uma das maiores biodiversidades do planeta.
Temos estruturas. O problema é que muitas vezes essas estruturas não conversam entre si. Enquanto isso, muitos municípios continuam enfrentando dificuldades básicas. Jovens deixam suas cidades em busca de oportunidades. Pequenos empreendedores lutam para sobreviver. Comunidades seguem esperando soluções que parecem nunca chegar.
Por isso chamou atenção uma experiência que vem de Benjamin Constant, no Alto Solimões.
Longe dos grandes centros econômicos, uma incubadora ligada à Universidade Federal do Amazonas já apoia dezenas de startups criadas por estudantes, pesquisadores e empreendedores da região.
Talvez os números ainda sejam pequenos diante dos bilhões movimentados pela indústria. Mas existe uma diferença importante. Ali não se produz apenas matéria-prima. Produz-se conhecimento. Produzem-se soluções.
Produzem-se oportunidades para que os próprios moradores permaneçam em suas cidades e gerem renda onde vivem.
É exatamente esse tipo de iniciativa que mostra um caminho para o futuro. O Amazonas não precisa apenas criar novas instituições. Precisa fazer funcionar melhor as que já existem.
Temos floresta. Temos universidades. Temos pesquisadores. Temos recursos. Temos jovens talentosos. O que falta é transformar tudo isso em oportunidades reais para quem vive na Amazônia.
Porque desenvolvimento não é o que aparece nas apresentações oficiais. Desenvolvimento é aquilo que chega à vida das pessoas. E essa continua sendo a maior dívida histórica do Amazonas.
“A Amazônia não precisa de mais discursos sobre potencial. Precisa transformar potencial em oportunidade para quem vive nela.”
“Olhar para a Amazônia é enxergar além das dificuldades: é reconhecer a força, a cultura e a dignidade de quem constrói o Norte todos os dias.”
Por Almir Souza
Redação Olhar do Norte Brasil
Foto: Mauro Queiroz
