O Brasil que decide no escuro (e insiste em repetir erros) No inicio de 2026, o Brasil entrou em mais um ciclo promessas. Candidatos vão falar de economia, desenvolvimento, crescimento… Mas a pergunta real é outra.
Alguém sabe, de fato, pra onde o país está indo?
A verdade é simples — e incômoda: o Brasil toma decisões importantes sem ter todas as respostas.
E isso acontece em um cenário cheio de incertezas: economia instável – e o mundo em transformação – e um futuro que ninguém consegue prever com segurança – Economia não é matemática exata.
Diferente do que muitos discursos fazem parecer, economia não é uma ciência exata. Não existe fórmula garantida.
Uma decisão que parece certa hoje pode gerar problemas amanhã. Uma política que resolve um problema pode criar outros ainda maior
É como remédio: cura de um lado… e pode causar efeitos colaterais do outro.
O erro da arrogância
Um dos maiores riscos na política econômica é a arrogância.
A ideia de que alguém tem a solução perfeita. O filósofo Karl Popper já alertava: quando alguém tenta “criar o paraíso na Terra”, pode acabar fazendo o contrário.
E o Brasil conhece bem esse erro.
Planos grandiosos…discursos otimistas… e resultados que não entregam o prometido. Quando a solução vira problema
Na prática, muitas decisões econômicas liberam forças que fogem do controle. cortes podem gerar desemprego – incentivos podem aumentar desigualdade – crescimento pode destruir o meio ambiente.E o problema nem sempre é a intenção.
É a falta de equilíbrio. Uma lição da história
Durante a crise de 1929 nos Estados Unidos, o governo teve que escolher: Deixar o mercado agir sozinho… ou intervir para proteger a população.
De um lado, havia quem defendia cortes e abandono. Do outro, quem defendia investimento público e proteção social. Quando o governo investiu, a economia cresceu. Quando voltou à austeridade cedo demais, a crise voltou.
Ou seja: decisão errada no tempo errado pode custar caro. O dilema do Brasil hoje.. Agora, o Brasil vive algo parecido.
Entre 2026 e 2030, o país vai ter que decidir: crescer ou cortar? investir ou segurar gastos? proteger ou arriscar? E não existe resposta simples.
O capitalismo brasileiro: um sistema que não se resolve
Hoje, o Brasil vive dentro de um modelo que mistura tudo:- empresas privadas – empresas do Estado – empresas estrangeiras- Esse modelo nunca foi totalmente organizado.
E os problemas continuam claros: desigualdade alta – pobreza persistente – uso predatório da natureza – corrupção e interesses misturados – Um sistema que funciona… mas não resolve
O capitalismo domina o mundo inteiro hoje.
Economistas como Branko Milanovic apontam isso com clareza: não existe mais outro sistema competindo de verdade. Mas isso não significa que ele funcione bem para todos.
No Brasil, ele funciona… mas não resolve o essencial.
O grande risco: repetir o mesmo erro
Em todo período eleitoral, o discurso se repete: equilíbrio fiscal – reformas e ajustes.
Mas quase sempre sem enfrentar o principal: os problemas estruturais do país. Resultado? Mais do mesmo. E, muitas vezes, pior.
O brasileiro invisível
Existe um personagem silencioso nesse sistema: o indivíduo que pensa só no próprio interesse. Produz, consome… mas não participa como cidadão. Essa ideia já vinha desde Adam Smith, e foi aprofundada por pensadores como Albert Hirschman.
O problema é quando isso vira regra. Porque uma sociedade não se sustenta só com interesse individual.
O ponto central
O Brasil não precisa só de novas promessas.
Precisa de outra postura: menos arrogância – mais responsabilidade – menos discurso pronto e mais entendimento da realidade.
Conclusão: decidir com humildade.. Planejar o futuro do Brasil não é sobre ter todas as respostas. É sobre reconhecer que nem todas existem. E, mesmo assim, tomar decisões com cuidado.
Porque no fim… o maior erro não é errar. É acreditar que não vai errar.
Por Almir Souza
Redação Fama Amazônica
Foto: AAS